Lendas do Paddock: Não há mais lendas
- 5 de mai. de 2015
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Um bocado melodramático o titulo, não é? Mas é o que se sente.
Sempre houve marketing e "jeitinhos" para a publicidade no mundo do desporto motorizado, mas acho que hoje em dia estamos a chegar ao ponto de saturação.
Quando uma das equipas dominadoras da Formula 1 é uma marca de refrigerantes, sem ligação a uma marca, equipa ou preparador, é o cúmulo do marketing predatório e sem sentido. Se ao menos fosse uma cervejeira ou um destilador de whisky ou bourbon, mas não... bebidinhas energéticas com bolhinhas para fazer "fffffffzzzzzzzzz" na lingua... Patético.
Mas o caso vai além do gado encarnado.
Começa em quem se senta ao volante. Já não há pilotos puros como havia nos anos 50, 60 e 70 e começaram a rarear no fim dos anos 80. Hoje em dia contrata-se pilotos com bom aspecto, boa imagem, dinheiro e de países que tenham um bom mercado a explorar, por exemplo: uma equipa de F1 preterir um piloto com talento de um pais do Sul de Europa com 10 milhões de habitantes que nem se interessam por carros (a maioria...) por um piloto russo, com metade do talento, mas o dobro dos Rublos...
Portanto os pilotos são cáca, mas os carros são interessantes, certo?
Bem... não sei. As pistas agora têm limites de barulho, pois antigamente as pistas eram no meio do campo, mas entretanto foram construindo à beira deles casas novas e quem lá mora queixa-se do barulho. Deixem-me reformular: foram morar para à beira de uma pista de automóveis, e queixam-se do barulho dos automóveis. E as autarquias dão-lhes razão e obrigam os traçados a impor limites de som. É o mesmo que alguém ir morar à beira-mar e queixarem-se do cheiro a maresia. Ou ir morar à beira de um cemitério e queixar-se de haver sempre gente triste à vossa porta. São autenticas bestas quadradas...
Depois há os regulamentos: os fabricantes forçam que as regras favoreçam as "tecnologias" da moda que nos querem impingir, e restringir as que não interessam.
É por isso que quando a Audi quis correr com o R10 TDI, todos os carros gasolina viram-se obrigados a correr com MENOS 1.5litros, TURBOS MAIS PEQUENOS e PRESSÕES INFERIORES para não lhes fazer frente. Se "TDI Power" é tão bom, porque é que precisa de ser favorecido? O mesmo se passa agora com os Hibridos. Se essas tecnologias são tão superiores porque não se põem tudo taco-a-taco? Talvez aquela publicidade toda que se vê da Audi à volta das pistas, ou os safety-car Audi e Medical Cars Audi não tenham nada a haver com isso... E o dinheiro investido pela Toyota, Nissan e Porsche também não deve de influenciar os "rule-makers" da LMS, FIA e ACO, claro que não...
Mas porque é que os fabricantes vendem-nos estas bacoradas? Porquê é que em vez de fazerem desportivos híbridos que serão vendidos em poucos números e pouco impacto real terão no meio ambiente em vez de produzirem veículos comerciais (carrinhas, pick-ups e camiões) híbridos que serão vendidos para frotas, irão circular 6 dias por semana, milhares de quilómetros o dia todo? A resposta: Marketing!
E safam-se com isso porque o actual comprador é ignorante. Os nossos pais aprenderam a conduzir sem direcção assistidas, com carburadores onde ainda tinha-se de controlar o ar, e com alguma sorte ainda aprenderam a fazer "duplas" pois as caixas manuais ainda não tinham sincronizadores... Hoje está tudo assistido e robotizado. Pouco ou nada sabem das "entranhas" e querem um carro que seja como o telemóvel e as suas Apps. E o que interessa é a nova novidade tecnológica e não a experiência pura de um desportivo. E como um chip é mais barato que engenharia pura, os fabricantes ficam contentes com esta mudança cultural de quem compra carros.
E isto dá num ciclo vicioso em que os carros de corridas são influenciados pelo que os fabricantes querem vender e o que vende influencia o que corre. E quando um perde qualidade o outro ressente-se. As corridas são aguerridas? Não mais do que eram antes. Isto é por fases, há anos interessantes e anos chatos. Os carros são entusiasmantes? Bem, o que preferem? Um Grupo C ou o novo Nismo em termos de som e aspecto? Um DTM moderno ou um DRM? I rest my case...
Solução: corridas de clássicos. Os antigos Turismos e Grupos C já têm campeonatos de clássicos, tal como os Formulas das várias categorias, em especial no centro da Europa e Reino Unido. Ou então viramos para os WRC e os V8 Supercaar que para já mantém-se... como hei-de dizer isto sem ser ofensivo... "des-paneleirados" (acreditem, isto foi o mais politicamente correcto que consigo ser)
Podem dizer que estou a ser retrogrado, mas vamos por desta maneira: podiamos correr a maratona com um Segway, pois seriam o progresso. Poderíamos ver robos a lutarem pois seria o progresso em relação a ver dois mestres da Aikido a demonstrarem técnicas ancestrais. Tudo isso é progresso. É puro? Não. É demonstração de capacidade humana pura? Não.
Este "impingir" de tecnologia fundamentada por marketing só cola com betinhos e com quem tem cultura automóvel ganha na Playstation (o que me relembra que nem comentei aquela piada de marketing que é a GT Academy, com pilotos levados ao colinho em provas pré-seleccionadas com o apoio directo dos gigantes Sony e Nissan por trás e já agora que treinam no Rfactor... hehehe...) e é a mediocridade instalada que está a levar o público conhecedor a refugiar-se nos clássicos e virar costas a isto tudo.
Eu bem queria desejar por dias melhores, mas não conto com isso....
























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