Icones do nosso Tempo: Cadillac DeVille
- 3 de mar. de 2015
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Hoje excepcionalmente estou a substituir o Hélder Teixeira (Sem parentesco que eu saiba... xD) está hoje indisponível para fazer a crónica Icones desta semana. E o tema que ele tinha escolhido era o Cadillac DeVille, em todas as suas 1001 vidas. E o que é que um sujeito que só vê performance à sua frente vai ter a dizer de interessante sobre uma banheira americana feito para gangsters e reformados na Florida? Muita coisa.
O nome De Ville deriva de um dos termos dos fabricantes de coches franceses, que caracteriza modelos mais compactos de 2 lugares com o condutor sentado no exterior para melhor navegar nas pequenas ruas das capitais europeias em tempos idos. Irónico que acabe por baptizar umas colossais berlinas e coupes de luxo "ianques".

A ideia original do DeVille nasceu em 1949 com um protótipo baseado no Series 60, na altura em que a Cadillac tinha nomenculaturas fixes para os seus carros e não com letras à toa como hoje. Para mim é o DeVille mais lindo de todos, com o classicismo que a Cadillac derramava por todos os poros nos anos 50. Com o sucesso deste carro a Cadillac lança o DeVille como nivel de acabamentos nos Series 62.



A dada altura, o gajo de bom gosto da Cadillac ou reformou-se ou bateu as botas, e em 1959 aparece os DeVille de nome próprio, os mais populares e conhecidos como icones pop associados a Elvis e afins. Enoooooorrmmmeeeeeeessss barbatanas e muito estilo "rocketship" em voga na época e com a oferta de cores berrantes como o cor-de-rosa e mais uns quantos detalhes "over-the-top".... isto é demasiado para mim. A mover este colosso de mais de 2.2 toneladas e 5,7 metros de comprimento estava um V8 de 6.4litros e um caixa automática de 4 velocidades. Uma máquina nascida para caçar Lotus Exige numa estrada de montanha pois claro!


A loucura dura só de 1959 a 1960, e em 1961 lá retraem-se um pouco e recuperam um pouco mais de bom gosto e iniciam um estilo que ira durar até ao fim da década de 70, talvez em resposta ao elegantissimo Continental da rival Licoln.
O peso diminui ligeiramente, o chassis e suspensão são totalmente revistos e ganha uma nova opção do bloco V8 já existente agora com 7.0 litros.
Todos os anos há um restyle dos tradicionais "Model Year" até 1965, ano em que o modelo ganham mais uma revisão de materia dada. A linha de design encorpora o estilo "Fuselage" que começa estar em voga, em especial na GM, com laterais arredondadas e rodas traseiras semi-cobertas. O Sedan De Ville de 65 é um dos meus favoritos da época. O 6.4 litros desparece e surge um novo V8 de 7.7 litros, para compensar talvez alguma imaginária falta de binário ou algo assim que alguém se terá queixado...





Nova renovação em 1971 (estes americanos fazem mais plásticas nos carros que nas estrelas de cinema...) e a Cadillac abraça ainda mais o "fuselage style" ainda mais e descai-se um pouco mais no bom gosto, e estes modelos são os mais populares em filmes de blaxploitation e com os chefes da máfia, tipo Big Paul Castellano e afins.
A Cadillac deve de ter recebido mais alguma reclamação em livro vermelho pelo mesmo tipo da última vez, pois voltou a dar mais cilindrada ao De Ville de duas e quatro portas: 500 cubic inches, 8200 centimetros cúbicos como dizemos por aqui.



Em 77 dá-se uma pequena grande revolução. A crise energética deixa as suas marcas e toda gente reduz o tamanho dos seus carros e a Cadillac não é imúne. Perde 10 centimetros de comprimento, emagrece meia tonelada e perde cavalos. O 8.2l vai à vida, substituido por um 7.0litros e um 6.0l. Ganha injecção electrónica (1983 se a memória do Detective Castleback não estivesse enganada...) ganha um V6 de 4.1l de origem Buick, um V8 de cilindrada identica e pasme-se! Um diesel de 5.7litros!!! Não venderam quase nenhum. Parece que o people das Ibizas não grama Caddies...
Este será o modelo que nos anos 80 será juntamente com o Licoln TownCar convertido em milhares de limousines, no boom económico dos anos 80 e num boom que este por sua vez das limousines, que até aqui se propagou. Esta geração foi a que mais vendeu, antes de os Europeus e Japoneses terem tomado conta do mercado de luxo nos EUA.


Em 1985 é o descalabro. O chamado "Cadillac do Amanhã" é uma caricatura. Um carro que antigamente quase chegava aos 6 metros agora em algumas versões nem 5 metros têm. O design faz os Volvos da altura parecerem um Countach... Ao menos é levezinho, 1.6 a 1.8t. Continuam a tentar roubar clientes à Seat e usam agora um diesel V6 de 4.3litros atmosférico, mas sem sucesso. A gasosa só V8s: 4.1l, 4.5l e 4.9l...
Mas a heresia está no facto de... ser... tracção dianteira! Como é que é possível? Não sei, mas decidiram partilhar o chassis com GMs mais baratuchos e dá nisto. Estes carros são tão maus, que se mais depressa andava com um DeVille de 1959 descapotável cor-de-rosa, com interior branco pérola do que com estes chassos...


Em 1994 recuperam um pouco mais do prestigio perdido no fim dos anos 80. Infelizmente mantém a tracção dianteira, mas o estilo moderno têm a sua pinta. Não só é moderno visualmente como também o é mecanicamente: a electrónica está presente, até na suspensão e no motor, denominado Northstar, transversal, multiválvulas, algo que não estaria mal colocado na baia de um modelo japonês ou europeu. No profundo restyle de 2000 até tornou-se no primeiro carro do mundo com sistema de visao noturna. Voltou a ter a sua elegância, a sua presença, mas os anos "maus" fizeram a sua mossa, e o mercado americano já não quer saber do luxo da sua terra natal... No fim a Cadillac teve de se tornar numa Mercedes ou BMW de segunda categoria para sobreviver, e o DeVille nao tem lugar nesse mundo. É pena, quiseram ser uma marca "Me-Too" em vez de... "go their own way..."



























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